Consagrado no Brasil e no Exterior, o artista paulista Vik Muniz, possui obras nas mais prestigiadas instituições de arte do mundo. Conhecido por utilizar  materiais inusitados inusitados em suas obras, como chocolate, feijão, açúcar, manteiga de amendoim, leite condensado, molho de tomate, gel para cabelo, geleia e produtos reaproveitáveis. 
Você é um dos poucos brasileiros que alcançaram sucesso de público no mercado de arte e entre a crítica. Como atingiu esse equilíbrio que tantos artistas gostariam de encontrar?
Uma coisa, para ser inteligente, não tem de ser exclusiva. É muito fácil criar uma coisa com apelo erudito. Quanto menos as pessoas entendem, mais fácil é de fazer. Eu sempre dou o exemplo dos Simpsons – você pode ter 50 anos ou cinco, você ri. Tem tudo ali, tem uma estrutura em que o pessoal fala de Nietzsche e ao mesmo tempo tem uma coisa básica, e é engraçado para qualquer audiência. Acho que, como em quase toda a obra de arte bem-sucedida, tem de haver um apelo para os seus sentidos, independentemente do que entende de fotografia. As regras para conseguir fazer isso estão em percepção, em composição, em foco, muito mais do que em subjetividade, mais do que o que você está mostrando. Eu venho de uma família superpobre, meus pais nunca foram a museu, galeria. Comecei a descobrir um equilíbrio saudável no que estava fazendo quando passei a procurar por exposição em outros círculos, fora da galeria. Isso trouxe muita gente para dentro da galeria e do museu para observar meu trabalho.
Alguns dos seus trabalhos são releituras de obras-primas. E você já declarou que não acredita na busca de uma nova ideia visual, mas na variação infinita das ideias que já existem. Pode falar sobre isso?
O que às vezes é muito mais interessante e sincero em cópias do que em trabalhos que buscam uma originalidade é que, na cópia, o artista tem uma maneira de expressar quase instintiva, orgânica, a diferença que ele tem da pessoa que criou a imagem original. Se eu fosse copiar um desenho de Michelangelo, eu não ia conseguir copiá-lo com a consciência que o Michelangelo tinha do mundo. Esse desenho estaria impregnado de realidade virtual, drone, vídeo, internet, de alguma maneira ele seria diferente. Acho que as chances de criar algo diferente, não vou falar novo, mas que tenha frescor ou a impressão de ser diferente, estão mais relacionadas a você buscar uma experiência autêntica. Tentar criar uma coisa nova não deve fazer parte da ambição do artista. Sou contra a ideia de originalidade como princípio para fazer arte.
É por isso que você recorre a materiais inusitados para criar, como chocolate, açúcar, sucata, poeira?
É uma questão de processo. A razão pela qual eu busco materiais e formas diferentes é para me expor a experiências diferentes. Se eu for fazer tudo com lápis e borracha, fico na minha mesa e não saio dali, vou fazer o que todo mundo já fez, da maneira como todo mundo tem feito há séculos. No momento em que faço uma coisa que tem de ser vista através de um microscópio ou a partir de um helicóptero, porque é muito grande, feita de diamante ou de lixo, estou me expondo a diferentes materiais, e o material dita o processo que vai te levar a realizar a obra. A escolha de materiais não ortodoxos tem a ver com experiências não ortodoxas.
Qual é o papel da fotografia no seu trabalho?
A fotografia é a maneira principal como a gente foi desenvolvendo a nossa relação com a nossa realidade. A fotografia ainda é aquela que marca e pontua os eventos das nossas vidas. Tenho uma série nova que se chama Álbum. Sou autodidata, então, durante 30 anos, consegui acumular uma coleção de mais de 200 mil fotografias de álbuns de família que eu compro. A maior parte das coisas que aprendi sobre fotografia foi observando fotografia vernacular, de álbum de família, popular. Eu obviamente estudei a história do meio, a parte teórica, faço minha parte, como profissional, de tentar entender da maneira mais técnica e filosófica possível, mas as questões mais profundas que consegui desenvolver no meu trabalho em relação à fotografia vêm das fotografias comuns que as pessoas tiram. Você vê o desejo, a relação da pessoa com o lugar onde está, o que elas entendem de fotografia, trabalho muito com essa bagagem do espectador, o que ele traz para dentro, o que espera ver, e como eu consigo lidar com essas concessões no meu trabalho. (por: Luiz Piffero /Gaucha Z Artes)

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