Confira a entrevista de Antonio Bandeira concedida a  Milton Dias, publicada no O POVO, em 1963. O diálogo tem sido reproduzido em algumas revistas especializadas e é considerado importante para o estudo da filosofia do artista. 
Que acha de entrevista?
Bandeira: Sou um pouco anti. E no caso do pintor, pintura já é entrevista. Estarei pendurado (os quadros) no Museu de Arte da Universidade do Ceará a partir do próximo dia 03. E por favor não ponha “mago”, ou “artista do pincel”, “arte de Miguelangelo”, “glória do Ceará”. Tudo isto é muito gentil mas um tanto “demodé”.
Como levar a arte ao povo?… E a elite?
Alfabetizando-o e educando-o primeiro para isto. Depois a arte vai a ele ou ele vem a ela. Não é importante quem chegar primeiro. O essencial é chegar. Elite já e eleita (sem trocadilho) por berço e independência financeira mas assim mesmo, depende enormemente do povo 
Que acha do folclore? (…) Acredita em arte primitiva.
Necessário e decorativo para os povos primitivos, até servindo de brinquedos para crianças. O folclore se transforma em erudição, depois de filtrada pelo gosto de colecionadores. Também pode servir de inspiração para obra de arte sendo ele próprio um artesanato consciente e um labor cotidiano de um determinado povo ou região. Arte em geral é sinônimo de estudo de aperfeiçoamento e de cultura. Acredito no primitivismo do convento, num Giotto e num Fran Angelico, ou então no primitivismo da criatura ignorante mas sensível. Creio na arte primitiva feita pelos loucos e pelas crianças, mas como aceitação limitada, partida de um princípio emotivo.
Quais os motivos que inspiram sua arte?
Todos e tudo. Estou sempre disposto a receber emoções a fim de transmiti-las ao meu trabalho. Porém minha pintura é mais de metamorfose, de transfiguração. É uma transposição de seres, objetos, coisas, momentos, gostos, olfatos que vou vendo no presente, passado, futuro.
Porque pinta?
Pintar é físico e mental. Tenho cabeça e mãos e gosto de fazer alguma coisa “avec” 
Que quadro gostaria de pintar?
Nunca pinto quadros. Tenho fazer pintura. Meu quadro é sempre uma sequência do quadro que já foi elaborado para o que está sendo feito no momento, indo esse juntar-se ao quadro que vai nascer depois. Talvez gostasse de fazer quadros em circuitos, e que eles nunca terminassem e acredit que nunca terminarão mesmo.
Você se basta a si mesmo?
Uma solidão dirigida até que é necessária. Agora o chato é a gente ficar sozinho quando não quer. O ideal seria ficar no quarto de portas trancadas, com a escola de samba passando ao largo.
O que seus pais pensam de você e qual a sua afinidade com a fundição?
Se meu pai pensa algo, nunca o disse. É aquele patriarcado do homem do Nordeste e eu respeito isso. Aqui eu sou um Bandeira igual aos outros filhos e gosto disto. Da Fundição aprendi misturas que meu pai nem suspeita, mas vendo derreter ferro ou bronze, aprendi muito. Hoje misturo emoções em cadinhos iguais ao sdele, de ferro, de bronze, de corpo, de alma, de vento, de paisagem, de objeto e dessa mistura fabrico as peças para o meu trabalho. (trechos da entrevista por Milton Dias, retirado do portal O Povo ) 

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