Eugenio de Proença Sigaud e o “Sermão da Montanha”

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“Acredita-se que quando pintou o “Sermão da Montanha” tenha representado Marx, Lenin e ele próprio, manifestando o espírito ousado e contestador do artista“.
A arte de Sigaud nunca foi ingênua ou descompromissada, evidenciamos as ponderações feitas por esse pintor em 1978 ao crítico de arte Frederico Morais remontadas no livro “Núcleo Bernadelli: a arte brasileira nos anos 30 e 40”:
Em depoimento que me deu, afirmou: “Sou comunista. Engenheiro, sempre lidei com
operários, o que explica a escolha dos meus temas. Sempre tive consciência do papel social da arte. Sempre fiz política. A meu ver, toda arte serve aos interesses políticos. A liberdade de criação, porém, é fundamental. Antes, em 1972, já declarara: “minha pintura nunca foi um ato gratuito, nem mesmo minha arquitetura É, antes de tudo, uma atitude consciente e firme, uma finalidade com objetivos artísticos, políticos e sociais. Celebro com ela, especialmente, a magnitude e a grandeza do trabalho humilde do operário, este trabalhador anônimo em todos os setores da grandeza da Pátria.”
(…) Podemos pensar a obra artística na catedral como fruto de uma profunda negociação entre os irmãos Sigaud. Sendo assim, temos, por um lado, aquele que encomenda uma pintura (o bispo)e do outro lado aquele que a executa (o pintor), ambos eram sujeitos inquietos e que se preocupavam com as questões sociais. Todavia, pensavam em tais questões a partir de concepções muito distintas: Geraldo se pautava no cristianismo, enquanto Eugênio se inspirava no marxismo.(…) ainda na composição das imagens do Sermão da Montanha que nem todas as figuras dialogam com o Cristo. A direita do observador, temos os sujeitos melhores trajados e que não se direcionam nem no olhar, nem corporeamente à Cristo, até porque o sermão não é orientado para eles e sim para os pobres em espírito, aos mansos, aos que choram, têm fome… É para eles que o carpinteiro de milênios atrás – aqui caracterizado como um Pedreiro Ernani – fala aos homens a sua semelhança e de ofício simples, desprovidos de bens materiais e de sofrimento. Tanto que as figuras que claramente se direcionam a fala do Messias, são aquelas de indumentárias simples, algumas sentadas no chão e em sua maioria de origem negra.
Neste cenário, é retratado também o discípulo de Sigaud: Waldetaro, o mesmo recebe uma posição de destaque no quadro, próximo a José Adão e indivíduos sentados a contemplar os ensinamentos do Salvador, no entanto, sua postura não é contemplativa e nem se pode certificar se seu olhar se direciona a “Ernani” ou a “Marx”. Sua posição é ereta, distinta da de José Adão, corcunda.
trechos do artigo “O sermão da montanha do “Pintor dos operários”:Narrativas históricas possíveis acerca da Arte-mural de Eugênio de Proença Sigaud em Jacarezinho-PR nos anos 1950 de Luciana Fatima Evangelista)
Eugênio de Proença Sigaud. O Sermão da Montanha, 1956. (Edição de imagem Cely Kaori Hirata)

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