Colecionadores , “…agentes de memória , e , acima de tudo, amantes das artes plásticas”

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“Colecionadores relacionam-se com objetos de forma afetiva,são legitimadores, agentes da
memória, e, acima de tudo,amantes das artes plásticas “
O professor e diretor da Escola Guignard da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg) Adriano Gomide, , mergulhou no universo dos colecionadores durante a tese de doutorado,
motivado pela ascensão da prática e pelo envolvimento pessoal com o tema. Para tal, pesquisou o papel dos colecionadores de arte moderna e contemporânea no sistema brasileiro, e, principalmente, mineiro. Segundo Adriano Gomide, uma das funções da pesquisa foi desmistificar a conotação negativa do colecionismo. “Outras áreas da ciência, como a Psiquiatria, tratam o tema de forma pejorativa, com referências aos acumuladores”
No ver do professor, a coleção envolve o ato voluntário de pesquisar, procurar e adquirir obras. É diferente de um acervo pelo qual se tem a obrigação legal de reunião e preservação de objetos. “Para coleção, existe o substantivo colecionador e o verbo colecionar. Para acervo, não existe o termo ‘acervador’, nem mesmo ‘acervar’.
Há um curador, mas nem sempre a pessoa está, nesta função, envolvido pelo ato voluntário de ajuntar”, argumenta. Em justificativa à relevância social dos colecionadores, o pesquisador conta que a origem de grandes museus ingleses e franceses do século XX são coleções privadas.
“Existem vários tipos de colecionadores, desde bilionários a pessoas de classe média. Em comum, está a grande paixão pelas artes plásticas, pelos objetos de arte.
O colecionador cumpre papel fundamental, pois adquire as obras por gosto pessoal e subsidia a atividade dos artistas”, analisa Adriano Gomide,
Um dos maiores colecionadores do Brasil é o diplomata Gilberto Allard Chateaubriand, com cerca de 7 mil obras reunidas. Bernardo Paz, fundador do Inhotim, também se destaca pela quantidade e pela representatividade do que reuniu. Ambos não foram entrevistados, na tese, pelo professor Adriano Gomide, mas são sempre lembrados como referências.
O pesquisador cita, ainda, o casal americano Mary Louise Stevens (1879–1953) e Walter Arensberg (1878–1954),colecionadores das obras de Marcel Duchamp, criador dos ready made. “Certos colecionadores, a exemplo desse casal, ficam amigos e acompanham a vida e a carreira do artista”, conta o professor. A obra Com barulho secreto, de Duchamp,
contou, inclusive, com a colaboração de Arensberg. O amigo ficou responsável por
inserir um objeto barulhento no rolo de barbante, sem revelar a ninguém.
O próprio Adriano Gomide é colecionador, e reúne trabalhos de amigos e colegas
de escolas por onde passou, além de obras que trocou durante a vida.
Fonte :(trechos) por Luana Cruz / FAPEMIG

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