Chef Erick Jacquin “o mundo vai mudar daqui para frente”

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Em dezembro passado, Jacquin abriu o restaurante Président e, em quatro meses, teve que fechar as portas por causa da quarentena instaurada em razão da pandemia do coronavírus — ainda assim, continua a preparar refeições para fazer entregas por delivery.
Como o senhor está se adaptando ao atual momento? Sempre falei que nunca mais ia abrir um restaurante. Quando decidi investir em uma nova casa, tive que fechá-la depois de quatro meses por conta de uma crise como a do coronavírus. Mas eu não sou o único, não é só o meu restaurante. É economia do Brasil, do mundo. Tem gente que é a favor de trabalhar, tem quem é contra. Mas a proteção da população, das crianças, dos idosos, das pessoas, vem à frente de tudo. A gente não pode fazer as pessoas irem trabalhar e arriscar a saúde delas. Ao mesmo tempo, muitas pessoas precisam trabalhar para comer amanhã. Ninguém sabe se o governo pode assumir essa situação e qual o poder financeiro deles. A bolsa de valores é uma coisa, mas a realidade, a geladeira dentro das casas das pessoas, é outra. 
O senhor enxerga uma solução para o curto prazo? O grande problema é o que vai acontecer depois de tudo isso, quais vão ser os resultados. Como as pessoas vão viver amanhã, qual o resultado dessa crise nas escolas, na economia, na segurança pública, no nosso futuro? Ninguém sabe. A gente é privilegiado, mas e os outros? Quem vai fazer as contas no final? Quem vai explicar isso para nós? Vamos mudar a sociedade? Vamos mudar a forma de fazer política no Brasil? O presidente fala uma coisa, o governador e o ministro falam outras coisas. Ninguém se entende. O meu restaurante é um pingo de água dentro do oceano. A gente decidiu fazer delivery no Président até como alternativa para manter o emprego das pessoas.
Para quem está em isolamento, em casa, como aproveitar melhor a cozinha? A gente deve aproveitar esse período para reaprender a fazer as coisas que a gente gosta de comer, para cozinhar coisas simples e até mesmo para fazer aquelas que demoram mais tempo para preparar. Comidas da infância, de família, simples para não gastar dinheiro. Fazer o que temos vontade de comer e cozinhar para as pessoas que estão perto da gente também. Aproveite para arrumar a casa, tem muita coisa que nem sabemos que temos. Olhe os livros que você tem. Eu estou fazendo isso. Já arrumei a área de serviço e a cozinha. Organize as panelas, a gente precisa aprender a cuidar das nossas coisas, é a nossa casa. Precisamos cuidar da nossa geladeira, não deixar estragar comida porque pode ser que tenha gente que precise de ajuda.
Depois da crise, o que o senhor espera que aconteça? Cozinhar é um hobby, uma terapia. A gente pode procurar fazer algo de infância, da avó, da mãe. Ou então eu procuraria fazer a minha própria história, criar o meu livro de receitas com o que eu gosto de fazer para a minha família. O que a gente gosta de comer juntos, com o que tem na geladeira. Pode ser um modo de começar de novo, do zero. Porque esse momento que estamos vivendo vai mudar o mundo daqui para frente, vai mudar a sociedade. É um fenômeno que nunca existiu. É uma revolução que ninguém imaginou, só se via no cinema. O planeta está em guerra. Precisamos pensar no futuro para que isso não aconteça mais. Não podemos ficar confinados só pensando no passado. É um momento de reflexão. Ver a nossa família em casa, todo mundo junto e ter tempo para aproveitar isso. Eu acho que vamos tirar algo muito positivo. É uma forma diferente de viver em família e espero que a gente mude e aprenda a ajudar mais um ao outro, inclusive em casa. Pensar mais na família, na felicidade e no amor. (trechos entrevista, por Ann Thomas / Veja) 

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