Um dos mais valorizados artistas brasileiros. Tunga segura sua obra intacta por um único motivo: não está vendendo arte. Está oferecendo uma experiência para aguçar o olhar das pessoas sobre o mundo.

Depois de ter se formado em arquitetura no Rio, você morou na França por dois anos, no fim dos anos 70. Qual é a influência desse período na França na sua produção artística?
Paris era um lugar muito pobre para a arte contemporânea, mas muito intenso para a reflexão do pensamento. Era o auge do estruturalismo e se lia muito, se discutia muito. Então resolvi vir pra cá para respirar um pouco esses ares e fazer as leituras que eu tinha que fazer. Para um jovem de 20 e poucos anos, interessado em assimilar, é um lugar ideal. Você tem as melhores bibliotecas e livrarias fantásticas. Tive fácil acesso às pessoas pensantes, como o filósofo François Wahl, por exemplo, que me orientou na leitura do Hegel. Foram dois anos de intensa produtividade, não em termos de obras, mas de elaboração de obras
E como era o clima artístico no Rio do fim dos anos 70?
Uma época muito positiva. Começou uma série de encontros entre toda uma geração que começou a dialogar. Surgiram publicações, exposições. Antes havia esse sentimento de solidão devido ao fato de você não ter um meio produtivo capaz de assimilar a linguagem que você fazia. Houve quase que uma confluência, uma magnetização de pessoas, para discutir e realmente abrir os espaços mentais que estavam em jogo ali
Quem eram os seus interlocutores nessa época?
Havia um diálogo muito intenso com Waltércio Caldas, Cildo Meirelles, Zé Resende, Ronaldo Brito. Ali começamos a sedimentar uma trajetória
O mercado hoje está mais presente no processo artístico? Como você lida com isso?
A rigor, o mercado de arte é uma coisa que não me interessa muito. Ele interessa aos galeristas e marchands que trabalham comigo. Acho que o mercado está sim mais presente na arte, mas o mercado é uma bagunça. Existe a perspectiva de um artista começar uma trajetória e ter uma exposição em uma galeria, ter seu trabalho financiado por meios privados ou públicos para realizar aquilo que ele acredita ser importante. Quando essa responsabilidade não é transferida para outrem, é só do artista, acho que a concisão se impõe. Muitas vezes, a profusão, o excesso de meios, pode atrapalhar o processo reflexivo. Eu não defendo nenhum arrocho econômico para se gastar com arte. Mas eu acho mais importante gastar com a formação de artistas, criando posições culturais, ou seja, instituições sólidas que nos façam sentir representados enquanto uma cultura, criar coleções públicas, permitir o livre acesso a coleções e à arte.
Quais artistas você admira?
Lia Rodrigues, Arthur Barrio, José Resende etc., no caso de alguns brasileiros, digamos, contemporâneos.
Como você materializa nas suas obras conceitos que o inspiram, como a filosofia e a poesia?
Muitas vezes nas coisas mais banais você é capaz de desvelar coisas surpreendentes que revelam algo sobre você mesmo, sobre a experiência que você tem com elas ou sobre o mistério que elas trazem embutido e que desprezamos, o que torna nossa vida muito mais pobre. Enriquecer a vida é intensificar as percepções do que acontece entre nós e o mundo.
É a sua mensagem, é aguçar o olhar das pessoas…
É aguçar o olhar, as experiências e aguçar a reflexão sobre esse olhar e essa experiência. Não é só se colocar diante de uma nova experiência, senão a droga seria uma solução maravilhosa. Porque toma-se uma droga e você fica com experiências sensíveis extraordinárias. Não é pela droga. É pela reflexão das experiências que você vive e, muitas vezes, as experiências mais banais, como a sensibilidade na ponta da língua numa gota d’água, podem ser mais intensas do que toda uma viagem em que milhares de possibilidades aflorem a sua pele. ( trechos texto Daniela Fernandes: TRIP)

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