Giovanni Castagneto por Gonzaga Duque

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Separamos alguns trechos do texto do jornalista e escritor Gonzaga Duque sobre Castagneto:
“…E nesse riso estava o Castagneto.
Ele foi um inculto e um puro, tinha violências e fraquezas, era desabrido, não raro demasiado àspero, ao mesmo tempo tímido como uma criança e como as crianças era móbil, incoerente e meigo. Dir-se-ia que a sua natureza participava das inconstâncias do mar. Em toda a sua curta existência nunca deixou de ser um filho de pescadores, com todos os sentimentos austeros dos não artificializados, e todas as incorruptíveis virgindades dos simples.
Começando muito cedo a vibrar aos impulsos do instinto estético, que lhe estavam na idiossincrasia por desconhecidas, mas supostas heranças sentimentais, talvez correntes estabelecidas por um indivíduo poeta na sua ascendência, que se acumularam nele com maior intensidade e mercê de outros fatores simpáticos, muito cedo também se fez pintor.
(…) Todavia a paisagem propriamente dita pouco o entusiasmava.  Do tempo passado num tugúrio às margens do Mediterrâneo, da infância desenvolvida sob o telhavã dos areais marinhos, onde respirou o tônico alcatrão da cordoalha e a maresia dos utensílios de pesca; da adolescência familiarizada com todos os atributos da profissão paterna, pois que sabia costurar as redes, trançar a taquara dos covos ou manejar a driça nos bordejos da guiga, ficou-lhe o amor desta existência independente e obscura, ou, para melhor dizer – o vínculo atávico da origem. O mar atraía-o portanto; mas, o mar batido e espumejante das regiões costeiras, não o largo mar isolado, nostálgico e bravio; não o solitário oceano reboante, imenso, convulsivo, sob o vasto céu tão misterioso como ele!
Toda a atenção do artista convergiu para a vida humilde dos pescadores, para os míseros recantos de beira-mar, onde a paisagem, se não houvesse colmo de gente da pesca, que traduzisse a poesia de sua existência obscura, pudesse lembrá-la pela proximidade da terra.
Em verdade, Castagneto possuía, como os improvisadores, a forma pronta e elegante; se fosse poeta, isto é – se escrevesse – daria para as redondilhas simples, para o verso correntio e musical; como pintor tendia para os motivos singelos expressos numa habilidade um tanto arrebicada, não obstante a firmeza da mão. A originalidade da sua obra está, conseguintemente, nessa maneira, em que há espontaneidade, em que entra um pouco de chique (faceta comum à habilidade dos improvisadores) e a sinceridade brusca do seu temperamento …”  (fonte : Dezenove e vinte)

OBRAS DE CASTAGNETO, VOCE ENCONTRA NA TOPPO ARTES.

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