A emoção estética não nasce unicamente da admiração de uma obra de arte – “ela pode surgir também quando observamos o voar dos pássaros”, ensina o filósofo francês Edgar Morin
Considerado um dos grandes pensadores sobre a complexidade (corrente que privilegia estudos multidisciplinares para resolução dos problemas), Morin é um homem moderno, que busca colocar a arte no mesmo patamar de importância da ciência. Próximo dos 98 anos (que completa em julho), ele, que já publicou mais de 30 livros, aposta no que chama de ‘estado poético’. “Trata-se de um segundo estado em que podemos nos sentir apaixonados, admirados, em comunhão com outras pessoas, maravilhados, transportados, transfigurados, inspirados. Algo que está no limite do místico, sem ser religioso.”
“A beleza da vida é poder usufruir desse estado especial, o que acontece, por exemplo, quando lemos a obra de Balzac ou Jorge Amado: eles criaram personagens cujo universo é capaz de provocar mudanças em nossa existência”, acredita. “Música, poesia, literatura e outras artes sempre estiveram presentes e ativas na minha vida.”