A gravadora Maria Bonomi, hoje uma das mais respeitadas artistas plásticas do país, é conhecida por seu empenho na defesa de uma produção artística de qualidade.
Como surge a questão da gravura para você? O suporte gravura surge em qual momento da sua vida?
Foi o primeiro momento. Eu pegava um papel, passava gesso, passava tinta preta e rasgava com uma ponta. Assim eram minhas primeiras gravuras. Eu sempre pesquisei essa coisa do scratch, da raspagem, da incisão… E o que acontece dentro de uma incisão. E de certa maneira a estampa vinha pela cor, vinha por outros fenômenos, essa coisa da incisão da luz… Eu nunca faço uma gravura colorida, é sempre em branco e preto.
Quais as possibilidades que você viu na gravura e não na pintura?
É totalmente outro universo. Existe uma postura gráfica. Na pintura você soma e na gravura você extrai. Você tira a matéria e lida com todo o conceito de positivo e negativo. É como se você fizesse um livro tirando as palavras que estão sobrando… Você vai tirando e fica o livro, que é o princípio da escultura de Michelangelo. Um pedaço de mármore que ele vai retirando…É o princípio de não pôr, mas retirar matéria. O lado esquerdo vai para o lado direito e vice-versa. Então, há a visão espelho, que é também uma postura. Toda a essência da gravura, toda a intimidade, a linguagem, todo o ideário gráfico é anterior à execução. Você pensa graficamente. Existe um pensamento gráfico que não é pictórico, que é lindo e maravilhoso, mas é sempre uma coisa em cima de outra coisa e não dentro. Você abole bastante da surpresa na pintura, é matéria em cima de matéria. E a gravura é idéia em cima de espírito.
Além do caráter utilitário, não?
Também… A pintura é muito mais utilitária. Embora a gravura tenha sido muito servil. Como não existia fotografia, a gravura, por muitos anos, a substituiu. E foi justamente o momento em que a gravura decaiu. Ela entrou num esquema de produção. Nós temos no Brasil artistas que fazem gravura para atingir o mercado, ou seja, eles fazem quadros muito caros e têm uma segunda atividade que é a gravura, feita de qualquer jeito, que eles assinam e atingem um público maior. O Brasil tem muita gravura e boa. De Norte a Sul. Tem tradição, tem prêmio, tem percurso, tem gente lá fora gravando etc. O mesmo não se dá em pintura. A pintura brasileira é promovida com respiração boca a boca, com grande interesse de galerias, tirando salvas e honrosas exceções. As galerias têm de ter aquele acervo e têm de vender, é claro que você não teria um retorno com gravura tão grande quanto com pintura.
Eu não faço escultura, eu faço altos e baixos-relevos. E os coloco em superfícies que se movem, ou não, e onde há um vazio, e esse vazio passa a ser a terceira dimensão. Por exemplo, aquela obra que tem no Arquivo do Estado que se move, que gira com o vento, eu vejo vento e fico contente porque sei que a aquilo está se movendo. Tem a ver com o lúdico também, que eu acho muito importante.
 Fonte; Revista Sesc edição 61

OBRAS DE MARIA BONOMI , E MUITO MAIS VOCE ENCONTRA NA TOPPO ARTES.

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