Entrevista: Luis Sacilotto “por que copiar a natureza?”

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O artista plástico Luiz Sacilotto, considerado um dos principais expoentes da arte concreta brasileira, fala nesta entrevista exclusiva sobre a motivação de suas criações.
Em que contexto se deram os seus primeiros trabalhos geométricos? Foi uma pesquisa solitária ou você já estava mantendo contato com artistas como Waldemar Cordeiro, por exemplo?
Nós tínhamos muito contato. Estávamos perfeitamente de acordo, mas ninguém sofreu influência do outro. Cada qual era livre. O Cordeiro e o Geraldo de Barros têm linguagens diferentes. Próximas porque são igualmente concretas, mas livres.
Quando você começou a chamar o seu trabalho de pintura concreta?
Em 1948; tenho um quadro adquirido pelo MAM (Museu de Arte Moderna) que é quase concreto. Não é concreto ainda porque as linhas e o motivo do quadro não concluem isso. Eu só começo a ter consciência de que um quadro é concreto a partir de 1950, quando a linguagem concreta rompe com a arte figurativa e passa a ser programada. Até então, os meus trabalhos não eram programados. Eu punha e tirava elementos. Se você fizer isso num quadro concreto, você o destrói.
É interessante notar que o seu processo era de desconstrução e reconstrução da mesma imagem sob nova forma.
Eu não falaria em desconstrução. Não pretendo, de forma nenhuma, desmanchar o que já conhecemos. Quero apenas criar uma forma nova. Tenho verdadeira paixão pelos clássicos anteriores ao renascimento. Depois deles vieram o renascimento, o maneirismo, o impressionismo, o neoimpressionismo, o expressionismo e os grandes movimentos modernos. Respeito todos eles, não há nenhum que eu considere ultrapassado. Eles passaram porque suas épocas passaram. A arte concreta é praticamente um novo renascimento, que ainda vai durar muitos anos. Não há nenhuma possibilidade de destruição. O que está sendo feito e inventado é o mais importante na arte concreta. Isso vai aumentar até chegar a um limite, quando ela pode se transformar em outra coisa ou pode desaparecer.
Qual é a diferença entre arte concreta e arte neoconcreta?
Somente a terminologia. A arte neoconcreta não existe, ela é uma invenção do Ferreira Gullar. Pintávamos com as cores primárias, o branco e o preto. Gullar disse que éramos frios, que não éramos como os cariocas, que eram diferentes… Eu não vejo diferença nenhuma. O manifesto neoconcretista é uma palhaçada. Obra exclusiva do Gullar. Perceberam que Lígia Clark era muito boa, ela fazia uma série de quadros em preto e branco. Ela teve um período concreto comportado, assim como Hélio Oiticica. Mas Lígia começou a fazer arte sensorial, depois surgiram os bichos e ela começou a usar psicologia. Hélio Oiticica colocou aqueles caras para jogar bilhar… O que os parangolés tinham a ver com arte concreta?
Qual é o grande pintor brasileiro?                                                                                              Volpi.
Você acha que o manifesto do seu grupo, Ruptura, ainda é válido?
Sim. Depois da invenção da máquina fotográfica não faz mais sentido pintar figuras. Mas a arte concreta caminha paralelamente. A figura não deve estar incorporada à pintura. Nem dissimulada, nem moderna. O próprio Picasso, se você analisar friamente, é um grande caricaturista. ( trechos: Revista SesC nº 58 )

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